Cartografia da Memória

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Fatos Históricos

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Extermínio dos Povos Indígenas e a implantação da Empresa colonial: Século XVII

A história da violação dos direitos humanos contra os povos indígenas, no Estado do Ceará, começou com a implantação do projeto colonial das potências mercantilistas europeias, nos séculos XVI ao XIX. Ocorrendo o primeiro genocídio indígena em decorrência da chegada dos europeus em busca de riquezas, poder, expansão da fé cristã e as etnias sofreram com as epidemias de doenças como, sarampo, varíola, gripes. Neste capítulo, será abordada a Guerra dos Bárbaros, que foi a luta dos povos originários contra os colonos que invadiram e os expulsaram das suas terras.

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História dos Negros e Negras no Ceará

O estudo da história dos negros, baseia-se na compreensão dos embates contra a invisibilidade, na efetivação da luta pelos direitos humanos, visto que a escravidão restringiu o acesso a direitos fundamentais ocasionados por vivências complexas de desumanização, apagando as possibilidades de construção das suas próprias histórias e experiências. O silenciamento de homens e mulheres, de origem africana, remete a violências físicas e simbólicas que marcaram seu passado. As comunidades quilombolas no Ceará representam espaços de luta e este capítulo é dedicado as políticas de memória dos direitos humanos do povo negro no estado.

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Confederação do Equador

Em 1824, ocorreu, no nordeste do Brasil, a Confederação do Equador, movimento revolucionário que almejava a independência da região e lutou contra o autoritarismo de Dom Pedro I. Os grupos dirigentes da época, oscilaram entre apoiar ou não a rebelião, enquanto outros defendiam com facilidade a Corte com o objetivo de manter suas posses. Menos de cinco meses após seu início, em 29 de novembro de 1824, o movimento que teve início em Pernambuco foi derrotado pelas forças do governo imperial. No cenário da época, a cidade de Fortaleza se consolidava como capital do Ceará, o primeiro jornal feito no estado era publicado, intitulado de ‘O Diário do Governo do Ceará’ e Tristão Gonçalves foi eleito presidente da província, liderando a revolta da Confederação na região.

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Missões do Padre Ibiapina Casas de caridade

José Antônio de Maria Ibiapina, o Padre Ibiapina, nasceu na cidade de Sobral, ficou conhecido por suas obras de caridade, seu comportamento sociorreligioso e o comprometimento com a fé católica. Desempenhou papel evangelizador, marcado pela construção das Casas de Caridade, entre 1860 a 1872, em diversos estados do Nordeste, esses espaços prestavam auxílio para jovens mulheres carentes. Suas atividades combateram os dobramentos das violações de direitos humanos, em um contexto histórico de fome, miséria e descaso. A figura do sacerdote influenciou importantes nomes, como Padre Cícero, mesmo após a sua morte.

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Marcha das crianças: Governo de Nogueira Accioly

Durante a República Velha e após 16 anos no poder, Antônio Pinto Nogueira Accioly, sofreu com a revolta popular ocorrida em janeiro de 1912, causada em decorrência dos consecutivos mandatos e práticas autoritárias. O oligarca governou o Estado do Ceará entre 1896 a 1912 e durante o seu governo aconteceram diversas manifestações como, a grave dos catraieiros que gerou rupturas públicas devido as graves violações de direitos humanos, e a marcha das crianças, organizada para apoiar Franco rabelo à presidência do estado. O movimento percorreu o centro da cidade, contou com a participação de centenas de crianças e foi duramente reprimida pela cavalaria da polícia ocasionando a morte de duas crianças.

Casarão do Padre Cícero - Onde funciona o Museu Vivo.

Sedição de Juazeiro

O Padre Cícero, figura religiosa, de forte influência política, liderou com a ajuda do seu aliado, Floro Bartolomeu, a Sedição de Juazeiro, conflito ocorrido em 1914 contra as forças de Franco Rabelo. A revolta que envolveu as oligarquias cearenses e o governo federal, contou com a participação dos sertanejos e da população local que acreditava tratar-se de uma “guerra santa”. Após o conflito, a vila de Juazeiro tornou-se cidade e ficou conhecida como a “Nova Jerusalém”, se desenvolvendo como o principal município da região do Cariri.

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Campos de Concentração dos Retirantes

No final do século XIX, havia uma preocupação por parte das elites locais com os fluxos migratórios dos chamados retirantes. Por causa da ausência de chuvas e despossuídos de suas terras, os camponeses sáiram do sertão em direção aos centros urbanos. Em 1915, o primeiro campo de contração foi criado para garantir a ordem em Fortaleza, protegendo a imagem “Belle Époque”. Rodolfo Teófilo, médico sanitarista, travou um embate contra as políticas de agrupamento. A população foi amontoada sem alimentos, higiene e moradias dignas. Em Senador Pompeu, o Sítio Histórico do Patu foi tombado por Decreto Estadual por ser o único local a possuir resíduos materiais dos Campos de Concentração.

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Caldeirão da Santa Cruz do Deserto

Em 11 de maio de 1937, na Chapada do Araripe, ocorreu o massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, contra os sertanejos que habitavam essas terras. A comunidade, liderada pelo beato José Lourenço, foi alvo de perseguição em razão das manchetes e dos discursos difamatórios, principalmente, por causa da calúnia disseminada sobre o culto ao “boi mansinho”. As tropas policiais invadiram e incendiaram as casas, os camponeses foram presos, torturados e levados para a capital. As imagens foram divulgadas na imprensa, e os troféus da “guerra contra a barbárie” pertencem ao acervo do Museu Histórico do Ceará.

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Leprosaria Canafístula

Na cidade de Redenção, em 1928, foi fundada a Leprosaria Canafístula, atualmente, o Centro de Convivência Antônio Diogo, criada como estratégia de isolamento social e tratamento medicinal para as pessoas que recebiam o diagnóstico de hanseníase, doença de forte estigma social naquele período. No intuito de evitar o pânico nos centros urbanos, foi realizada a internação compulsória dos enfermos nesses espaços. O Leprosário era administrado pelo médico Antônio Justa e foi inaugurado com cerca de duzentos pacientes, onde permaneciam em absoluto confinamento. Hoje, o Memorial Leprosaria Canafístula, é um equipamento que faz parte da história e do sistema de saúde do Estado do Ceará.

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Marcha do Pirambu: Marcha de 20 Mil Pessoas do Pirambu

A Marcha do Pirambu foi uma manifestação popular, realizada no dia 1º de janeiro de 1962, e simbolizou a busca por habitação, defesa de direitos básicos para a comunidade que morava no bairro e nas regiões adjacentes. A passeata contou com a participação de vinte mil pessoas, que percorreram cinco quilômetros em direção ao centro de Fortaleza e seguiram para o Palácio da Luz, onde foram recebidos pelo Governador Plácido Castelo. Em seguida, uma comissão, que representava os interesses da população, recebeu o direito as terras, em Brasília, por meio do Decreto Federal Nº 1.058, de 25 de maio de 1962.

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Conflitos de Terra no Sertão dos Inhamuns

Em 28 de abril de 1964, Dom Fragoso foi escolhido pelo Papa Paulo IV para ser o primeiro Bispo a comandar a recém-criada Diocese de Crateús e devido a sua chegada, um intenso processo educativo de mobilização comunitária e evangelização social em pol dos direitos humanos foi iniciada. O sacerdote disseminou seus ideais de uma igreja servidora, transformando as terras da paróquia em obras produtivas com a ajuda dos camponeses que trabalhavam de modo cooperativo. Desenvolveu diversas ações nos distritos mais pobres dos Sertões dos Inhamuns, idealizou as “Semanas de Catequese” e propagou a importância da leitura, criando os círculos de leitura para soldados, o que gerou conflitos, ocasiando a transferência de militares.

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Ditadura Civil- Militar no Ceará

O Golpe de 1964 deu início a ditadura militar brasileira, mudando drasticamente o país e o regime, conhecido pelo autoritarismo excessivo, foi caracterizado pela restrição a liberdade, ausência de proteção social, participação política cidadã e as graves violações dos direitos humanos. No Ceará, os defensores da democracia escolheram o atual Departamento de História da Universidade Federal do Ceará, como um dos locais de resistência. Ocorreram diversas passeatas e perseguições como, a prisão dos “16 de Crateús, a mais conhecida, e a “Revolta das Saias”. Nesse período definido pelas terríveis violações dos direitos humanos, Frei Tito de Alencar Lima foi figura fundamental para as reflexões sobre a dimensão do estado autoritário. Ele foi preso, submetido a tortura e suas cartas, denunciando os abusos que sofreu, ganharam conhecimento mundial tornando um marco na defesa dos direitos humanos.

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Chacina Japuara: Conflito de Terras – Canindé

Foi em um clima hostil que, na manhã do dia 02 de janeiro de 1971, ocorreu a Chacina Japuara, marcada por eventos violentos envolvendo forças policiais e camponeses. O conflito foi resultado da ação de destruição das casas dos moradores que residiam na fazenda Japuara porque o novo proprietário queria utilizar a terra para expandir o rebanho. Na tarde do mesmo dia, explodiu a escalada da violência, quando prenderam Pio Nogueira. O caso ganhou ampla repercussão nacional, aparecendo como inspiração nas lutas em defesa dos direitos humanos e contra relações de explorações. Em Japuara, foi registrada a primeira desapropriação de fazenda para os camponeses no Ceará.

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Favela José Bastos: Ocupação e Luta

Em uma das principais avenidas de Fortaleza, um grupo com aproximadamente cinco mil pessoas ocupou uma área estratégica da capital, fato histórico conhecido como “Favela José Bastos”. A ocupação teve início em setembro de 1978 e durou até abril de 1979, quando ocorreu a expulsão definitiva em razão do cumprimento judicial para reintegração de posse, executada por ação policial. Os moradores viveram intensos momentos de luta coletiva e passaram por episódios de terror, devido as ameaças que sofreram. A violação aos direitos humanos que ocorreu na José Bastos, ganhou visibilidade pelo massacre constante perpetrado contra a comunidade.