A Leprosaria Canafístula, hoje, o Centro de Convivência Antônio Diogo localizado na cidade de Redenção e fundado em 09 de agosto de 1928, foi um espaço
criado para o tratamento medicinal dos internos que recebiam o diagnóstico de hanseníase, doença acompanhada de intenso estigma social naquele período.
O primeiro leprosário do Estado do Ceará, popularmente nomeado de “Colônia Antônio Diogo” foi erguido a partir de doações feitas pelo industrial cearense Antônio Diogo de Siqueira, um dos principais administradores dos recursos que mantiveram o local nos primeiros anos.
A estratégia de isolamento social dos doentes, foi legitimada por decisão médica, durante um surto de “lepra”, enfermidade que também era denominada como “o mal de Lázaro” ou a “morfeia”, nas primeiras décadas do século XX.
No intuito de evitar o pânico nos centros urbanos, as autoridades constituídas
realizaram a internação compulsória daqueles que estavam enfermos e carregavam o estigma da doença consolidada ao longo do tempo e eram chamados de “leprosos”.
Concluído o leprosário e após ampla campanha de doações, passou a ser
administrado clinicamente pelo médico Antônio Justa, principal profissional que praticava e militava pelo tratamento para os doentes no Ceará. A administração do lugar, era responsabilidade das irmãs da Congregação Franciscana, com o apoio do Monsenhor Antônio Tabosa Braga, que liderava ligas e campanhas, para obtenção de verbas que ajudariam na construção e manutenção do prédio, durante vários anos. No final de 1930, o Centro Médico Cearense e do Estado, começou a colaborar com o funcionamento da Instituição. Posteriormente, Antônio Justa, Antônio Tabosa e a ordem religiosa, eram responsáveis pela organização das atividades.
Na década de 1920, foram feitas tentativas de abarracamentos e outras formas de isolamento, para impedir que as vítimas da doença não chegassem até a capital
cearense. Após o fracasso dessas iniciativas, ocorreu apelos frequentes para a construção de um prédio apropriado, como era em outros estados do país, para a
contenção e tratamento dessas pessoas.
Antes da edificação do leprosário, várias matérias produzidas pelos jornais, promoveram uma espetacularização dos horrores que a “lepra” causava e reforçaram aspectos, incentivando o isolamento social e quais procedimentos deveriam ser
adotados.