Entre dezembro de 1913 a março de 1914, aconteceu no Ceará um embate
entre tropas lideradas por Padre Cícero e Floro Bartolomeu, contra as forças de Franco Rabelo, então presidente do estado. Este fato ficou conhecido como a Sedição de
Juazeiro.
A Sedição de Juazeiro, ocorreu quando Padre Cícero e, o seu aliado, Floro Bartolomeu, com o apoio do Governo Federal, lideraram o embate contra as forças ligadas ao Presidente da Província do Estado, que tornou-se indesejado para as
oligarquias locais, em especial, a do Cariri e ao próprio Presidente da República, Hermes da Fonseca, e a Pinheiro Machado, o senador mais influente do período.
A rebelião popular, ocorrida em 1912, que derrubou do poder Nogueira
Accioly, quando ocupava o maior cargo de poder do estado, era aliado de Padre Cícero, Floro Bartolomeu e das elites políticas do Cariri.
As condições para a deposição de Franco Rabelo precisavam ser criadas e uma intervenção federal era desejada nesse sentido.
As bancadas políticas de Juazeiro do Norte queriam consolidar seu domínio,
almejando garantir e expandir a emancipação obtida do Crato, em 1911, e impedir que perdessem força, sem Nogueira Accioly no poder. Franco Rabelo representava uma ameaça a seus interesses e a sobrevivência dessa hegemonia pretendida pelas forças da cidade.
A Sedição de Juazeiro sucedida na República Velha, foi uma ordem
institucional que buscava legitimação e controle dos estados, em articulações de oposição àqueles que votaram contra Hermes da Fonseca, realizando conflitos pelos cargos governamentais, poder local e disputas entre cidades dominadas por poderes centrais dos Estados e da União. No intuito de conquistar mais espaços, tais disputas oligárquicas aconteciam na contraditória consolidação dessa república como sistema político e de sociabilidade. Esse sistema combateu movimentos populares, geralmente, percebidos como expressões de atraso a ser superado e ameaçadores da ordem pretendida.