Cartografia da Memória

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HISTÓRIA DOS NEGROS E NEGRAS NO CEARÁ

A violação dos direitos humanos da população negra, no Estado do Ceará, remete a uma história de violências físicas, emocionais e morais sofridas durante o período da escravidão. Uma vida de privação, silenciando a participação desses povos como protagonistas de suas histórias, principalmente, os oriundos de Congo – Angola no continente africano.

A escravidão restringiu o acesso a direitos fundamentais, ocasionados por vivências complexas de desumanização, apagando as possibilidades de construção das suas próprias histórias e experiências.

O discurso, se os povos eram ou não civilizados, mas estavam a serviço da máquina mercante do tráfico negreiro que transportou mais de 10 milhões de africanos para as Américas.
O estudo da história dos negros no estado, baseia-se na compreensão dos embates contra a invisibilidade, na efetivação da luta pelos direitos humanos e o combate contra a negação da sua presença. Existia a ideia de pouca presença da mão de obra escravizada.

O silenciamento de homens e mulheres, de origem africana, remete a violências físicas e simbólicas sofridas que marcaram seu passado. Torna-se relevante a desconstrução da ideia de quer ser negro equivale a ser escravo.
A atividade da pecuária, responsável, inicialmente, pela maior colonização das
terras cearenses, utilizava a mão de obra dos negros na exploração. No século XIX,
ocorreram processos intensos sobre políticas de exclusão, na tentativa de manutenção das relações de segregação contra os povos negros que sonhavam pela liberdade e por direitos.
O tráfico interprovincial, a partir da metade do século XIX, retirou a mão de obra
escrava do estado e dizimou a presença afro-brasileira no Ceará. Lutaram pela
permanência e convívio com as famílias, em comunidades negras ou como agregados.
O Ceará foi um espaço privilegiado na luta dos negros para além da escravidão, do
racismo e em busca da liberdade.
Novas normas legais recaíram negativamente na luta dos negros, impedindo sua
autonomia. Houve manifestações culturais, sociais e religiosas como, as Irmandades de Nossa Senhora dos Homens Pretos, pelo estado; a Igreja do Rosário, em Fortaleza e outras ocorridas no interior do Ceará como em, Sobral, Icó, Aracati e Quixeramobim; o maracatu. Festas negras na capital e em diversos municípios do interior, refletindo e construindo a liberdade, na reconstrução das suas identidades.
Ocorreram inúmeras influências sobre ancestralidade e tradições dos povos africanos no estado. As elites intelectuais e políticas negavam as experiências negras, de resistência e os caminhos abertos a ferro e fogo.

Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) Foto: em 2022
Capela de Nossa Senhora – Serra do Evaristo - Fotos: em 2022
Ponto de Cultura – Serra do Evaristo - Fotos: em 2022
Museu Comunitário da Serra do Evaristo - Fotos: em 2022