Em uma das principais avenidas da capital cearense, ocorreu o episódio
histórico da “Favela José Bastos”, local que interligava as zonas mais distantes até osbairros de classe média, próximos ao centro comercial e político de Fortaleza. O grupo, com aproximadamente cinco mil pessoas, ocuparam uma área estratégica contígua a zonas urbanas em desenvolvimento, com equipamentos de saúde e prédios comerciais.
A ocupação iniciada em setembro de 1978 durou até abril de 1979, uando
foi encerrada após ameaças, período em que os ocupantes sofreram perseguições e foram alvos de brutalidades.
A expulsão definitiva aconteceu em razão do cumprimento judicial para
reintegração de posse, cumprida pela ação policial, no dia 26 de abril de 1979, com a remoção das pessoas para o antigo matadouro da cidade, na região metropolitana do município de Caucaia.
Apelidados pela imprensa como “favelados”, viveram intensos momentos de solidariedade e luta coletiva pela desapropriação, passando por episódios de terror e sendo ameaçados por forças policiais.
O espaço foi ocupado por desempregados que antes pagavam aluguel nas periferias da capital, e migrantes de outros municípios que rapidamente começaram a construir casebres.
A invasão ocorreu no terreno situado próximo à curva da avenida, que ligava aos bairros nobres, no km 8, vizinho à estação de trem, zona-alvo da especulação imobiliária. A região estava valorizada pela proximidade com o Campus das Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Ceará, com hospitais, faculdades, entre o bairro da Parangaba e os bairros, Benfica, Centro e a Aldeota.
A área ocupada pertencia, no início dos anos 1970, a uma localidade com
vazios urbanos, terrenos cercados, terras ainda com animais e falta de esgoto. Não era uma zona periférica, possuindo essa dupla característica de ser objeto da expansão urbana ainda não consolidada, facilidade de transportes e a presença de equipamentos públicos e privados.