Por Socorro França
Memória e verdade são conceitos distintos, porém profundamente complementares.
A memória guarda ideias, experiências e vivências; a verdade, por sua vez, refere-se ao que está em consonância com os fatos e com a realidade.
Quando unidas, memória e verdade tornam-se ferramentas fundamentais para preservar a história e impedir que os erros do passado se repitam.
É com esse propósito que apresentamos a Cartografia da Memória, uma iniciativa que reúne, em linha do tempo, marcos significativos da trajetória do Ceará: dos campos de concentração das secas à ditadura militar.
O projeto teve início ainda na Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) e foi concluído na Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih), consolidando-se como uma entrega do Governo do Estado à população.
Mais do que uma publicação, a Cartografia da Memória é um instrumento de educação e conscientização coletiva, voltado ao fortalecimento da democracia.
Falar sobre os períodos de hostilidade da nossa história recente é reconhecer sua existência, refletir sobre suas consequências e reafirmar o compromisso de não repeti-los.
Ao priorizar a memória e a verdade como políticas públicas, reafirmamos a importância de narrar esses acontecimentos às novas gerações, garantindo que não se percam no esquecimento e que contribuam para formar cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com o futuro do Brasil.
A Cartografia do Ceará nasce com o propósito de reunir episódios que marcaram a nossa história e que não devem ser esquecidos. Além de um registro histórico, é um instrumento de conscientização e um convite à reflexão sobre práticas de violência, exclusão e desigualdades que, infelizmente, ainda ecoam em nossa sociedade.
A memória coletiva é um patrimônio que precisamos preservar. Precisamos dessa memória para compreender o nosso presente e construir um futuro mais justo. Isso é uma lembrança viva de que os direitos humanos são conquistas que vieram de grandes lutas coletivas.
A Cartografia do Ceará percorre momentos marcantes da nossa história, entre eles, a Marcha do Pirambu, quando moradores de uma comunidade periférica se uniram em busca de dignidade e melhores condições de vida. Traz, também, a repressão da ditadura civil-militar no Ceará; A recordação dos campos de concentração dos retirantes, que expõe na seca de 1932; Além da trajetória dos negros e negras, marcada por resistência contra a escravidão e o racismo, e o extermínio dos povos indígenas, vítimas da violência colonial no século XVII.
Este material foi elaborado não apenas como fonte de pesquisa, mas como um convite à reflexão e ao despertar da consciência coletiva. Que cada pessoa, ao mergulhar nestas páginas, sinta-se instigada a reconhecer a importância da dignidade humana e do respeito à diversidade.
Que a Cartografia do Ceará inspire a preservação da nossa memória e alimente a esperança em um futuro pautado pela solidariedade, pela igualdade e pelo respeito aos direitos humanos. Quem não conhece sua história tende a repetir os erros do passado.
Lia Gomes
Secretária das Mulheres do Estado do Ceará