A Marcha do Pirambu foi uma manifestação popular, realizada no dia 1o de janeiro de 1962, que pleiteou direitos básicos para a comunidade que morava no bairro e
nas regiões adjacentes. A passeata contou com a participação de 20 mil pessoas exigindo melhorias essenciais para a localidade.
Caminharam, segurando cartazes e bandeiras, em direção ao centro de Fortaleza, onde estava localizada a sede do poder executivo, pleiteando seus direitos, em uma data que simboliza transformações e esperanças. Percorreram cinco quilômetros e adentraram, de forma reunida e pacífica, o perímetro considerado como o mais
importante da capital na época, o centro de Fortaleza.
Antes da caminhada decisiva, ocorreram múltiplas mobilizações, buscando a defesa de direitos humanos essenciais e lutando contra os estigmas que existiam sobre a
comunidade, desde o início do bairro.
A Marcha do Pirambu, foi um movimento articulado por setores progressistas da Igreja Católica, trabalhadores, militantes de partidos, associações comunitárias, reunidos pela justiça social. O Padre Hélio Campos, foi um dos principais símbolos dessa manifestação histórica.
O bairro do Pirambu começou em 1930, quando ocuparam as terras da Marinha que estavam abandonadas. A região fez parte dos campos de concentração, em 1932, era chamado, popularmente, como “currais de gente”, compostos por sertanejos deslocados, no intuito de mantê-los afastados das áreas centrais da capital, pois eram vistos como ameaçadores da ordem. Ao mesmo tempo, estavam disponíveis com mão de obra barata, para a construção de empreendimentos.
O bairro foi desenvolvido por uma comunidade oriunda das migrações forçadas, resultado do Campo de Concentração do Urubu, que isolou e estigmatizou pessoas em condições de violação de direitos básicos.
Após processo de lutas, em 1958, passou a ser reconhecido, oficialmente, como bairro. Por esse motivo, os jornais chamaram a imensa manifestação de “Marcha sobre Fortaleza”.